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domingo, janeiro 23, 2011

Tatiana Blass

Eu gosto de algumas obras de Tatiana Blass, e gosto principalmente do modo como ela está conseguindo evoluir e manter uma carreira sólida nesse campo dificílimo da arte. Mas - sem ter visto a obra, claro - não gosto da instalação-escultura que vai ser exposta no CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil - do Rio de Janeiro. São esculturas de cera que ocupam o lugar dos atores de uma peça de Samuel Beckett e que, durante as seis semanas de exposição, derreterão sob a luz dos refletores. Isso me parece um tipo de idéia de arte que já foi bastante explorado, o objeto que se desfaz, as frutas em gaiolas que vão apodrecendo. Isso me parece, ainda, como muita obra de arte - em museus do mundo todo - que se assemelham a um bocado de restos que os pedreiros de alguma reforma deixaram por ali. Quando passo por obras assim, me dá vontade de mandar algum faxineiro limpar. E apesar da boa idéia, o que restará dessa obra de Tatiana? Restos de cera, lixo.

Para acessar o site de Tatiana Blass clique aqui.

Para acessar o site do Centro Cultural Banco do Brasil (RJ) clique aqui.

(I like some artworks of Tatiana Blass, and especially I like how she is managing to evolve and maintain a solid career. But - without having seen this artwork, of course – I do not like the installation-sculpture that it will be exposed in CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro. It are wax sculptures that take place of actors in a play by Samuel Beckett, and that during the six weeks of exposure, it will are to melt under the spotlight. It seems to me a kind of art idea that has been widely explored, the object that falls apart, the fruit will rot in the cages. This seems to me, yet, like many artworks - in museums around the world - that resemble debris that some reform left there. I feel desire to send a janitor clean that. And despite the good idea, what will remain of this work of Tatiana? Remains of wax, garbage.)

domingo, outubro 10, 2010

urubus são retirados de obra da Bienal

a questão é duchampiana. se tudo é arte, nada mais é arte. os artistas fazem espetáculo, por isso urubus. deixa os animais em paz. o artista não sabe desenhar? o artista não sabe fotografar? o artista não sabe mais esculpir? tudo é apenas conceito? "computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro" já disse o músico pernambucano. bienal e obras assim fazem parte apenas da efêmera sociedade do espetáculo.
segue a notícia na Folha de São Paulo:
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08/10/2010 - 08h17
Urubus são retirados de obra da Bienal

Folha de São Paulo

Por ordem da Justiça, os três urubus-de-cabeça-amarela que faziam parte da obra "Bandeira Branca", de Nuno Ramos, em exposição na Bienal, foram retirados nesta quinta-feira por volta da 0h.

As aves, motivo de polêmica e revolta de ambientalistas na abertura da Bienal, devem voar ainda nesta sexta-feira de volta ao Parque dos Falcões, em Sergipe, de onde vieram, acompanhadas do veterinário William dos Anjos.

Desde a última sexta-feira (1), quando o Ibama de São Paulo deu um prazo de cinco dias para que os animais fossem devolvidos a seu local de origem, pairava a dúvida se elas sairiam ou não.

A Fundação Bienal chegou a entrar, na segunda-feira (4), com uma ação na Justiça Federal solicitando a suspensão da notificação, mas o juiz federal substituto Eurico Zecchin Maiolino, da 13ª Vara Cível Federal, não acatou o pedido da entidade, com a justificativa de que "mesmo após a concessão de autorização, o Poder Público está autorizado a intervir e rever o ato administrativo diante da constatação de qualquer irregularidade".

sábado, outubro 02, 2010

fabio cypriano - bienal volta a ser epicentro das artes plásticas

CRÍTICA 29ª BIENAL DE ARTES

Bienal volta a ser epicentro das artes plásticas
Apesar de contradições entre obras, mostra reúne trabalhos excelentes

FABIO CYPRIANO
DE SÃO PAULO

"Há sempre um copo de mar para um homem navegar." A 29ª Bienal de São Paulo revela-se uma mostra polifônica e aí reside sua força, e também sua fraqueza.
Em torno de arte e política -questão historicamente relevante, mas que sem um foco torna-se ampla demais- coexistem obras e propostas bastante diversas, com nexos difíceis de se compreender.
Numa exposição da dimensão do pavilhão da Bienal é compreensível que a curadoria, coordenada por Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos, opte por criar distintos eixos, mas podem-se constatar algumas contradições entre as obras, o que provoca enfraquecimento do tema.
Ocorre, por exemplo, na discrepância entre o que se pode chamar de artistas "históricos" e contemporâneos. As ações radicais, em sua maioria dos anos 60 e 70, dos argentinos Alberto Greco e do Grupo de Artistas de Vanguarda, de Paulo Bruscky, Lygia Pape e Hélio Oiticica, entre outros, reduz a produção atual, com algumas exceções, a um esteticismo pueril.

FORA DE CONTEXTO
Afinal, como se pode entender nesse contexto obras de artistas como Marcelo Silveira, David Cury ou Fernando Lindote, entre outros? Essa abrangência, por demais generosa, não só enfraquece o tema como põe em xeque a produção contemporânea, o que não parece ser a intenção dos curadores.
Contudo, essa Bienal, quando consegue realizar diálogos autênticos entre passado e presente, atesta sua pertinência.
Foi assim com leitura livre do "Bailado do Deus Morto", de Flávio de Carvalho, um dos artistas-chave da mostra, com 50 atores do Teatro Oficina, no último domingo.
Quando Zé Celso, que dirigiu a ação, vestiu uma versão do traje "New Look de Verão", de Carvalho, e esbravejou impropérios como metralhadora giratória, enquanto seu grupo movia-se praticamente desnudo, ele injetou um espírito anárquico e politicamente incorreto na Bienal, comportada demais.
Mas, felizmente, ele não é exceção e, graças à polifonia da mostra, há trabalhos excelentes e, por conta dos terreiros, especialmente os da performance, da literatura e do cinema, há uma energia vibrante no pavilhão.
Assim, apesar de conceitualmente a Bienal ser muito frágil, sua complexidade e diversidade compensam a falta de organicidade e tornam, novamente, o pavilhão da Bienal o epicentro do pensamento artístico no país.

29ª BIENAL DE SÃO PAULO

QUANDO sáb. à qua., das 9h às 19h, qui. e sex., das 9h as 22h; até 12/12
ONDE pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, portão 3, tel. 0/xx/ 11/5576-7600)
QUANTO grátis
AVALIAÇÃO bom
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(obra de marcelo silveira na bienal - tudo certo - 2010 - foto do site da bienal)


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(obra de paulo bruscky na bienal - o que é arte? para que serve? - 1978 - foto do site da bienal)


sexta-feira, outubro 01, 2010

pedra mole - germana monte-mór

germana monte-mór apresenta uma exposição de pinturas, esculturas e fotografias em belo horizonte, na galeria de arte carminha macedo.
as fotografias em preto e branco compõem uma série que ela chamou de “pedra mole”.
para quem já esteve no lajedo do pai mateus, no interior da paraíba, é facílimo identificar que as fotos foram feitas lá.
então, me pergunto, o que faz das fotografias de germana “arte”, diferentemente das centenas, talvez milhares, de fotografias dos turistas que visitam continuamente o lajedo? eu mesmo, moléstia à parte, bati as mesmas fotos que germana, nos mesmos ângulos.
foi apenas chegar ao local e apontar a objetiva. o local em si é que é uma obra de arte da natureza.
então, germana, essas fotos são artísticas apenas pelo preto e branco?
não consigo identificar nas fotos de germana nada que as torne radicais, curiosas, instigantes. vejo nelas o já visto.
(abaixo, detalhe de uma das fotos de germana, da série “pedra mole”)
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