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domingo, fevereiro 05, 2012

Mona Lisa e o caos - Hélio Schwartsman

HÉLIO SCHWARTSMAN

Mona Lisa e o caos

DE SÃO PAULO - Pesquisadores anunciaram que a cópia da Mona Lisa encontrada no Museu do Prado é quase tão autêntica quanto o original. Isso dá o que pensar. O que torna a Gioconda o quadro mais célebre do mundo? E a resposta, que relutamos em aceitar, é: sua celebridade.

Não há dúvida de que Da Vinci era bom e Mona Lisa é uma grande pintura. Mas, tecnicamente, ela está no mesmo nível de outros trabalhos do polímata toscano e de outros grandes mestres. Por que ela, e não La Fornarina, de Rafael, por exemplo, se tornou o ícone da arte pictórica?

A rigor, até meados do século 19, Da Vinci não era páreo para Ticiano, Rafael, e a Mona Lisa era um quadro relativamente obscuro. Sua fortuna começa a mudar depois que foi roubada do Louvre por um italiano em 1911. Acabou sendo devolvida, já como celebridade. Sofreria dois outros "atentados" e se tornaria objeto de paródia de autores pop como Duchamp, Dalí e Warhol. Hoje, o Louvre estima que 80% de seus visitantes vão ao museu primariamente para ver a Gioconda, segurada em US$ 700 milhões.

A tese do físico Duncan Watts é que o sucesso é circular: a fama do quadro advém de sua fama, que foi precipitada por eventos aleatórios.

O interessante é que Watts tem um experimento para corroborar sua teoria. Ele recrutou 14 mil voluntários que deveriam escutar, avaliar e baixar 48 músicas inéditas de bandas desconhecidas. Os recrutas foram divididos em oito "mundos" incomunicáveis, onde podiam conferir a popularidade da canção pelo número de downloads naquele mundo.

Cada mundo evoluiu de modo independente. O que mais pesou foi a fama. A qualidade importou, mas pouco. Músicas muito bem avaliadas nunca foram um desastre, mas, com as canções médias, tudo podia acontecer. Elas podiam estourar ou ser esquecidas. Quem mandava era o caos.

Isso deveria bastar para relativizar as explicações usuais para coisas como sucesso, fracasso e o próprio gênio.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

A nova Mona Lisa no Museu do Prado



Museu do Prado anuncia descoberta de cópia da "Mona Lisa". (Folha de São Paulo)

O museu espanhol do Prado anunciou nesta quarta (1º) a descoberta de uma cópia da "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, encontrada em seus depósitos. A instituição apresentou à imprensa a pintura, que esteve abandonada por décadas em um sótão, depois de sua restauração. De acordo com um relatório sobre os detalhes descobertos pelos especialistas, publicado na revista britânica "The Art Newspaper", o trabalho é uma cópia da pintura de Da Vinci realizado por algum de seus alunos ao mesmo tempo que o retrato original (1503-1506), no ateliê do artista italiano. Acredita-se, segundo o jornal "El País", que o tal aluno possa ter sido Andrea Salai (que se tornou um dos amantes de Da Vinci) ou Francesco Melzi. A pintura retrata a mesma mulher pintada por Da Vinci, mais jovem e com o rosto mais fresco, mas com a mesma pose e o mesmo sorriso enigmático. O fundo, porém, estava completamente preto, coberto por várias camadas de tinta escura, que foram removidas por especialistas cuidadosamente. A versão restaurada mostra no fundo uma paisagem de colinas e rios que muito se parece com a pintura original, atualmente no Museu do Louvre, em Paris. A publicação acrescentou que a descoberta ajudará a entender como a obra-prima de Leonardo foi pintada. O texto nota, ainda, que o aspecto um pouco mais envelhecido da mulher representada no célebre quadro pode ser resultado da ação do verniz na tela. "Esta descoberta sensacional vai transformar a nossa compreensão da mais famosa pintura do mundo", apontou a publicação. O museu confirmou as informações da imprensa e se comprometeu a oferecer maiores detalhes em breve.